Impostos
O que é o Fator R e como ele muda o imposto de fisio, psicólogo e nutricionista?
O Fator R é a divisão da folha (pró-labore e salários) pelo faturamento dos últimos 12 meses. Se der 28% ou mais, a empresa de fisio, psicólogo, nutricionista, fono, TO ou enfermagem paga pelo Anexo III, a partir de 6%; abaixo disso, pelo Anexo V, a partir de 15,5%.
Escrito por Equipe adm.care
Publicado em · 8 min de leitura
Este artigo é o 3º de 14 do guia Impostos do profissional da saúde.
O que é o Fator R, em uma frase
O Fator R é uma conta que divide o que a sua empresa pagou de folha (pró-labore, salários e encargos) pelo que ela faturou, sempre nos últimos 12 meses. Se o resultado der 28% ou mais, a empresa paga pela tabela barata do Simples Nacional, o Anexo III, que começa em 6%. Se der menos de 28%, paga pela tabela cara, o Anexo V, que começa em 15,5%.
O Simples Nacional é o regime de imposto das pequenas empresas: uma guia só por mês, o DAS, que junta os impostos federais, o INSS da empresa e o ISS da prefeitura. A regra dos 28% está no artigo 18, parágrafos 5º-J, 5º-K e 5º-M, da Lei Complementar 123/2006.
Este artigo é para quem tem ou vai abrir empresa (CNPJ) no Simples. Quem recebe como pessoa física ou como associado da adm.care não tem Fator R para acompanhar. Explicamos isso no fim.
O Fator R é regra federal: a conta, os 28% e as tabelas do Simples são os mesmos em qualquer estado, de Manaus a Porto Alegre. O que muda conforme o lugar fica fora dessa conta: o ISS cobrado à parte pela prefeitura (fora do Simples, de 2% a 5% conforme o município, pela Lei Complementar 116/2003), as taxas e prazos da prefeitura e a anuidade do conselho regional da sua profissão, que depende do seu estado.
Quem da saúde depende do Fator R?
Praticamente todo profissional de saúde com empresa no Simples. A lei manda para o Fator R as atividades destes incisos do parágrafo 5º-B do artigo 18 da Lei Complementar 123:
| Profissão | Onde está na lei | Depende do Fator R? |
|---|---|---|
| Fisioterapia | Inciso XVI | Sim |
| Enfermagem | Inciso XIX (junto com medicina) | Sim |
| Psicologia, psicanálise, terapia ocupacional, fonoaudiologia, acupuntura e podologia | Inciso XXI | Sim |
| Nutrição | Inciso XXI (“clínicas de nutrição”) | Sim |
Atenção, fisioterapeuta: muita gente diz que a fisioterapia vai direto para o Anexo III. Não é o que diz a lei. O parágrafo 5º-M, inciso I, cita o inciso XVI, que é a fisioterapia. Se o seu contador nunca falou em Fator R, pergunte.
O código da atividade da empresa, o CNAE, precisa bater com o que você faz. Veja os códigos de cada profissão em qual o CNAE de enfermagem, fisioterapia, psicologia, nutrição, fono e TO.
Como fazer a conta, passo a passo
- Some a folha dos últimos 12 meses. Entra o pró-labore (o “salário” que o dono tira da própria empresa), os salários de funcionários e os encargos pagos à parte, como FGTS.
- Some o faturamento dos mesmos 12 meses. É o total das notas fiscais, a chamada receita bruta.
- Divida a folha pelo faturamento. Deu 0,28 (28%) ou mais? Anexo III. Deu menos? Anexo V.
O que não entra na folha: a distribuição de lucros (o dinheiro que o dono tira como lucro, sem INSS) e aluguéis. Só conta a remuneração informada como folha ao governo.
A conta é refeita todo mês, sempre olhando os 12 meses anteriores ao mês da guia. Não é uma escolha feita uma vez por ano. Um mês com pró-labore baixo pode jogar a guia seguinte para o Anexo V.
Exemplo com números
Uma psicóloga fatura R$ 10.000 por mês. Em 12 meses, são R$ 120.000.
- Se ela tira R$ 1.500 de pró-labore por mês, a folha do ano é R$ 18.000. A conta dá 18.000 ÷ 120.000 = 15%. Fica no Anexo V.
- Se ela tira R$ 2.800 por mês, a folha do ano é R$ 33.600. A conta dá 33.600 ÷ 120.000 = 28%. Vai para o Anexo III.
Atalho: multiplique o seu faturamento mensal por 0,28. O resultado é o pró-labore mínimo para chegar aos 28%. R$ 10.000 × 0,28 = R$ 2.800.
Como calcular o Fator R em 3 passos
- Some a folhaPró-labore, salários e encargos como FGTS dos últimos 12 meses. Lucro distribuído e aluguel não entram.
- Some o faturamentoO total das notas fiscais dos mesmos 12 meses, a receita bruta.
- Divida a folha pelo faturamentoDeu 28% ou mais: Anexo III. Deu menos: Anexo V.
Quanto muda no imposto?
A diferença é grande. Na primeira faixa, para quem fatura até R$ 180 mil por ano, o Anexo III cobra 6% e o Anexo V cobra 15,5%. As tabelas completas estão nos anexos da Lei Complementar 123. A partir da segunda faixa, a conta usa uma “parcela a deduzir”, e por isso a alíquota de verdade (a efetiva) fica abaixo da nominal.
Mas tirar pró-labore tem um custo: o dono paga 11% de INSS sobre ele, descontado pela própria empresa. A boa notícia é que esse INSS conta para a sua aposentadoria. Veja como o profissional da saúde contribui para o INSS.
| Faturamento por mês | Guia no Anexo V | Guia no Anexo III | Pró-labore mínimo (28%) | INSS do pró-labore (11%) | Sobra a mais por mês |
|---|---|---|---|---|---|
| R$ 6.000 | R$ 930 | R$ 360 | R$ 1.680 | R$ 184,80 | cerca de R$ 385 |
| R$ 10.000 | R$ 1.550 | R$ 600 | R$ 2.800 | R$ 308 | cerca de R$ 640 |
| R$ 20.000 | R$ 3.225 | R$ 1.460 | R$ 5.600 | R$ 616 | cerca de R$ 1.150, menos o imposto de renda do pró-labore |
Como lemos a tabela: faturamento igual o ano todo, empresa de um dono só, sem funcionários. A última coluna é a guia do Anexo V menos a guia do Anexo III menos o INSS do pró-labore. No caso de R$ 10.000: 1.550 − 600 − 308 = R$ 642 por mês, quase R$ 7.700 por ano.
E o imposto de renda do pró-labore? Desde 2026, a Lei 15.270/2025 zera o imposto de renda mensal de quem recebe até R$ 5.000. Acima disso, o desconto vai diminuindo até R$ 7.350. Por isso, nos dois primeiros exemplos o pró-labore não paga imposto de renda. No de R$ 20.000, paga um pouco, e a economia fica menor, mas continua alta.
O pró-labore não é dinheiro perdido. Ele sai da empresa e cai na sua conta pessoal, como o lucro. O que muda é que, sobre ele, você paga INSS.
Anexo V ou Anexo III: quanto muda por mês
15,5%
6%
R$ 930
R$ 360 + R$ 184,80 de INSS
R$ 1.550
R$ 600 + R$ 308 de INSS
R$ 3.225
R$ 1.460 + R$ 616 de INSS
Como sair do Anexo V e ir para o Anexo III
- Ajuste o pró-labore antes, não depois. Como a conta olha 12 meses para trás, subir o pró-labore só no fim do ano demora a fazer efeito. Combine o valor com o contador logo na abertura da empresa.
- Acompanhe todo mês. Faturou mais num mês? A folha talvez precise subir junto. Peça ao contador o Fator R de cada mês, por escrito.
- Não precisa trocar de CNPJ. A mudança de anexo acontece na própria guia do mês, quando a conta passa de 28%.
- Empresa nova tem regra própria. Sem 12 meses de história, a lei usa uma conta de proporção nos primeiros meses. Peça ao contador para mostrar como ela foi feita na sua primeira guia.
Quanto tirar e como dividir entre pró-labore e lucro está em quanto de pró-labore o fisioterapeuta ou psicólogo PJ deve tirar.
Os erros que mais custam caro
- Tirar tudo como lucro. Parece esperto, porque lucro não paga INSS. Mas lucro não entra no Fator R, e a guia vai para 15,5%.
- Pró-labore só no papel. Ele precisa ser pago de verdade e informado ao governo, com o INSS recolhido. Senão, não conta.
- Esquecer os meses fracos e fortes. Num mês de faturamento alto (férias de colegas, muitos plantões), a conta pode cair abaixo de 28%.
- Achar que o contador já cuidou. Pergunte em qual anexo saiu a sua última guia. Está escrito no extrato do Simples.
Se o contador não acompanha o Fator R, talvez seja hora de mudar. Veja como trocar de contador sendo profissional da saúde.
E se mesmo assim não compensar?
Às vezes o Fator R não fecha a conta: faturamento muito alto, pró-labore que dispara o imposto de renda, ou o ISS do seu município. No Lucro Presumido, o ISS sai em guia separada da prefeitura, de 2% a 5% conforme a cidade (Lei Complementar 116/2003). Confira a alíquota no site da prefeitura onde a empresa está registrada. Aí vale comparar com o Lucro Presumido, outro regime para empresas, que não tem Fator R. Veja Simples Nacional ou Lucro Presumido.
Para ver o quadro completo por profissão, leia quanto um fisioterapeuta paga de imposto, quanto um psicólogo paga de imposto, quanto um nutricionista paga de imposto e quanto um enfermeiro paga de imposto.
E quem ainda não tem empresa?
O Fator R é um problema de quem tem CNPJ. Antes de abrir uma empresa só para “pagar 6%”, some o resto: contador todo mês, pró-labore com INSS, registro da empresa no conselho regional da sua profissão (Coren, Crefito, CRP, CRN ou CRFa, com valores que mudam de estado para estado) e taxas da prefeitura, que dependem do seu município. A conta está em quanto custa manter um CNPJ e em como abrir empresa na área da saúde, e quando não precisa abrir.
Na adm.care, quem entra como associado não abre empresa e não tem regime para escolher nem Fator R para vigiar. O nosso time emite a nota fiscal para o seu hospital, home care ou laboratório, desconta os impostos e as taxas e faz o PIX do valor líquido na sua conta pessoal. No app, você vê o total de impostos e o quanto sobrou. Veja como funciona e como contratar, sem taxa de adesão e sem multa para sair.
Já tem empresa própria e quer saber se vale continuar com ela? Fale com a gente. Mais respostas em perguntas frequentes.
