Impostos
Pró-labore do profissional da saúde PJ: quanto o fisioterapeuta ou psicólogo deve tirar?
O pró-labore mínimo é o maior entre o salário mínimo (R$ 1.621 em 2026) e 28% do faturamento mensal: quem fatura R$ 10.000 tira R$ 2.800 e paga R$ 308 de INSS. O resto sai como lucro, sem INSS, e a empresa paga o Simples a partir de 6%, não 15,5%.
Escrito por Equipe adm.care
Publicado em · 9 min de leitura
Este artigo é o 6º de 14 do guia Impostos do profissional da saúde.
O pró-labore do profissional da saúde com CNPJ é o “salário” que o dono tira da própria empresa, todo mês, pelo trabalho que faz nela. Só existe para quem tem CNPJ. Se você é fisioterapeuta, psicóloga, nutricionista, fono, TO ou enfermeira com empresa, em qualquer estado do Brasil, essa é uma das decisões que mais mexem no seu imposto.
Não existe um valor “ideal” igual para todo mundo. Existe uma conta. O pró-labore precisa passar por três números: o salário mínimo, os 28% do faturamento e o teto do INSS. O resto do dinheiro sai como lucro. Abaixo, a conta passo a passo, com exemplos em reais.
Pró-labore ou lucro: qual a diferença?
O dinheiro da sua empresa chega à sua conta pessoal por dois caminhos. Os dois são legais. O que muda é o imposto.
| Pró-labore | Distribuição de lucros | |
|---|---|---|
| O que é | Pagamento pelo seu trabalho na empresa | A sobra da empresa, depois de pagar impostos e despesas |
| INSS | 11% descontados de você | Não paga |
| Imposto de renda | Zero até R$ 5.000 por mês; acima disso, paga | Isento, dentro dos limites da lei |
| Conta para a aposentadoria | Sim | Não |
| Entra no Fator R | Sim | Não |
Olhando a tabela, dá vontade de tirar tudo como lucro. Mas lucro não entra no Fator R, a conta que decide se a sua empresa paga 6% ou 15,5% de imposto. É por isso que o pró-labore existe na prática: ele custa um pouco de INSS e economiza muito mais na guia do Simples.
A isenção do pró-labore até R$ 5.000 vem da Lei 15.270/2025, que também reduz o imposto de quem ganha até R$ 7.350 por mês. A isenção do lucro está no artigo 14 da Lei Complementar 123/2006 e no artigo 10 da Lei 9.249/1995.
Os três números que definem o seu pró-labore
- Piso: R$ 1.621,00 (salário mínimo de 2026). É o menor valor que conta um mês inteiro para o INSS. Abaixo disso, o mês fica incompleto para a aposentadoria. Veja a tabela de contribuição do INSS.
- Alvo: 28% do faturamento. É o Fator R. Se a folha (pró-labore, salários e encargos) dos últimos 12 meses chegar a 28% do faturamento dos mesmos 12 meses, a empresa paga pelo Anexo III do Simples, a partir de 6%. Abaixo disso, vai para o Anexo V, a partir de 15,5% (artigo 18, parágrafo 5º-B, incisos XVI, XIX e XXI, parágrafo 5º-M, inciso I, e parágrafos 5º-K e 24, da Lei Complementar 123/2006). Fisioterapia, enfermagem, psicologia, nutrição, fono e TO dependem dessa conta. Detalhes em o que é o Fator R.
- Teto: R$ 8.475,55 por mês. É o máximo sobre o qual o INSS cobra em 2026 (INSS). Os 11% param em R$ 932,31. Passou disso, o pró-labore não aumenta a sua aposentadoria.
Regra prática: o pró-labore mínimo é o maior entre R$ 1.621 e 28% do seu faturamento médio por mês. Multiplique o faturamento por 0,28. Se der menos que o salário mínimo, use o salário mínimo.
Muitos contadores arredondam um pouco para cima, para ter folga. Um mês de faturamento alto pode puxar a conta para baixo de 28%.
Esses três números são federais: valem igual de norte a sul do país, porque vêm da Receita Federal, do INSS e da lei do Simples. O que muda conforme o lugar fica fora da conta do pró-labore. O ISS, imposto da prefeitura sobre o serviço, já vem dentro da guia do Simples; fora do Simples, a alíquota vai de 2% a 5% e depende do seu município (Lei Complementar 116/2003). A anuidade do conselho (Coren, Crefito, CRP, CRN ou CRFa) depende da sua profissão e do seu estado.
Os três números do pró-labore em 2026
- R$ 1.621Piso: salário mínimo de 2026, que conta um mês inteiro para o INSS
- 28%Alvo: Fator R que leva a empresa ao Anexo III, a partir de 6%
- R$ 8.475,55Teto do INSS: os 11% param em R$ 932,31
Quanto tirar: exemplos por faturamento
Empresa de um sócio só, sem funcionários, faturamento igual o ano todo.
| Quem | Faturamento por mês | 28% do faturamento | Pró-labore mínimo | INSS (11%) | Imposto de renda do pró-labore |
|---|---|---|---|---|---|
| Nutricionista em início de carreira | R$ 4.000 | R$ 1.120 | R$ 1.621 (piso) | R$ 178,31 | Zero |
| Fisioterapeuta com consultório e home care | R$ 8.000 | R$ 2.240 | R$ 2.240 | R$ 246,40 | Zero |
| Psicóloga com agenda cheia | R$ 12.000 | R$ 3.360 | R$ 3.360 | R$ 369,60 | Zero |
| Enfermeira PJ em vários home cares | R$ 20.000 | R$ 5.600 | R$ 5.600 | R$ 616,00 | Reduzido (fica entre R$ 5.000 e R$ 7.350) |
| Fisioterapeuta com agenda lotada | R$ 40.000 | R$ 11.200 | R$ 11.200 | R$ 932,31 (teto) | Paga pela tabela cheia |
Repare na nutricionista: o piso de R$ 1.621 já dá 40% do faturamento. O Fator R fica garantido com folga.
Repare na última linha: para faturar R$ 40.000 e ficar no Anexo III, o pró-labore passa do teto do INSS. O INSS para de subir, mas o imposto de renda do pró-labore chega a 27,5% na faixa mais alta. Nesse tamanho, vale o contador comparar com o Lucro Presumido, outro regime que não tem Fator R. Veja quais impostos o profissional da saúde paga em cada regime.
A conta completa: quanto sobra para a psicóloga de R$ 12.000
Ela fatura R$ 144.000 no ano. Fica na primeira faixa do Anexo III, de 6%. Suponha R$ 500 por mês de despesas da empresa (contador, certificado digital, sistema, anuidade do conselho regional). O valor é um exemplo: o preço do contador e a anuidade mudam conforme a cidade e o estado.
- Guia do Simples (6%): R$ 720
- Pró-labore: R$ 3.360. Ela paga R$ 369,60 de INSS e recebe R$ 2.990,40
- Despesas: R$ 500
- Lucro que sobra: 12.000 − 720 − 3.360 − 500 = R$ 7.420, sem INSS e sem imposto de renda
Total que chega à conta pessoal: 2.990,40 + 7.420 = R$ 10.410,40 por mês.
E se ela não tirasse pró-labore? A folha seria zero, a empresa iria para o Anexo V e a guia subiria para 15,5%: R$ 1.860. Ela economizaria R$ 369,60 de INSS, mas pagaria R$ 1.140 a mais de imposto. E ainda ficaria sem contribuição para a aposentadoria naquele mês.
E se ela tirasse pró-labore no teto, R$ 8.475,55? O INSS subiria para R$ 932,31 e o pró-labore passaria de R$ 7.350, perdendo a redução do imposto de renda. Ela pagaria centenas de reais a mais por mês em troca de uma aposentadoria maior. Pode valer a pena, mas é uma escolha de aposentadoria, não de imposto.
Psicóloga de R$ 12.000: com e sem pró-labore
Anexo III, 6%
Anexo V, 15,5%
R$ 720
R$ 1.860
R$ 369,60
Zero
Sim
Não
O detalhe que quase ninguém conta: o limite do lucro isento
O lucro sai sem imposto, mas com um limite. Se a empresa não tem contabilidade completa (balanço e livros feitos pelo contador), a lei só aceita como isento um lucro “presumido”: 32% do faturamento, menos o Simples pago (artigo 14, parágrafos 1º e 2º, da Lei Complementar 123/2006, e artigo 15 da Lei 9.249/1995).
Na conta da psicóloga: 32% de R$ 12.000 = R$ 3.840. Menos R$ 720 da guia = R$ 3.120 isentos por mês. Mas ela quer tirar R$ 7.420 de lucro.
A saída é a contabilidade completa. Com ela, a empresa prova que o lucro de verdade foi R$ 7.420, e todo esse valor sai isento. Sem ela, o que passar de R$ 3.120 pode ser cobrado como rendimento tributável na sua declaração. Pergunte ao seu contador, por escrito: “a minha empresa tem escrituração contábil completa?”
Desde 2026, há uma regra nova para quem tira muito lucro: acima de R$ 50.000 no mês, pagos pela mesma empresa à mesma pessoa, a própria empresa retém 10% de imposto (Lei 15.270/2025). Para a maioria dos profissionais de saúde, esse número está longe.
Quando vale tirar mais que o mínimo
- Aposentadoria. O valor da aposentadoria é calculado sobre o que você contribuiu. Pró-labore no salário mínimo por 30 anos dá uma aposentadoria perto do salário mínimo. Veja como o profissional da saúde contribui para o INSS.
- Auxílio por incapacidade e salário-maternidade. Também seguem o que você contribuiu. Para quem vive do próprio trabalho, ficar parado sem renda é o maior risco.
- Comprovar renda. Alguns bancos olham o pró-labore para dar crédito ou financiamento. Lucro também conta, mas exige mais papel. Veja como comprovar renda sendo PJ.
O caminho mais comum: pró-labore no mínimo que garante o Fator R, e o resto como lucro. Quem quer aposentadoria maior sobe o pró-labore de propósito, sabendo quanto custa.
Os erros que mais custam caro
- Tirar tudo como lucro. A empresa vai para o Anexo V e o mês fica sem INSS.
- Pró-labore só no papel. Ele precisa ser pago de verdade, numa transferência da conta da empresa para a sua, e informado ao governo pelo contador, com o INSS recolhido.
- Esquecer de reajustar. O faturamento subiu? Os 28% subiram junto. Revise a cada trimestre, ou quando entrar um contrato novo.
- Misturar as contas. Pagar o mercado com o cartão da empresa vira retirada sem nome. Separe as contas.
- Tirar lucro antes de existir lucro. Se a empresa ainda não pagou a guia e as despesas do mês, o “lucro” pode ser dinheiro que não é seu.
- Achar que o contador já cuidou. Pergunte em qual anexo saiu a sua última guia e qual foi o Fator R. Se ele não souber responder, veja como trocar de contador.
E quem tem sócio ou funcionário?
Cada sócio que trabalha na empresa tem o próprio pró-labore, com o próprio INSS. No Fator R, entra a soma de todos os pró-labores e salários. Se a clínica tem uma recepcionista CLT, o salário dela e o FGTS também contam para os 28%, e o pró-labore dos sócios pode ser menor.
O lucro é dividido conforme o contrato social, que é o documento de criação da empresa. Não precisa ser igual ao pró-labore de cada um.
E quem não tem empresa?
Quem recebe como pessoa física, por RPA ou como associado, não tem pró-labore, Fator R nem guia do Simples. Antes de abrir empresa só por causa do imposto, faça a conta inteira: contador, certificado, guia mínima e o próprio pró-labore. Veja quanto custa manter um CNPJ e autônomo, liberal ou PJ.
A adm.care, empresa do grupo adm.doctor, tem app próprio, feito para enfermeiros, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, psicólogos, nutricionistas e fonoaudiólogos que trabalham em hospitais, home cares e laboratórios. No modelo de associado:
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- o valor líquido cai por PIX na sua conta pessoal, ligada ao seu CPF.
Sem empresa, não há pró-labore para decidir. Se você já tem empresa e quer saber como ela fica com a adm.care, fale com a gente.
Veja os 3 passos em como funciona, o que está incluído em planos e as dúvidas comuns na ajuda.
