Pular para o conteúdo

Notas e cadastro

O que precisa ter no contrato de prestação de serviço com o hospital ou home care?

O contrato de prestação de serviços do profissional da saúde precisa dizer, por escrito, o serviço, o valor de cada plantão ou visita, o dia do pagamento, se o valor é bruto, o que acontece no cancelamento, como sair e se há multa. O que não está escrito vira a sua palavra contra a do local.

Escrito por Equipe adm.care

Publicado em · 11 min de leitura

Capa com o destaque 12 pontos: os pontos que precisam estar escritos no contrato de prestação de serviço com hospital ou home care.

Este artigo é o 4º de 9 do guia Hospital e home care: contrato e nota.

Contrato de prestação de serviço é o mesmo que contrato de trabalho?

Não. O contrato de prestação de serviço é o acordo escrito entre você e o hospital, a empresa de home care (atendimento em casa) ou a clínica, quando você trabalha sem carteira assinada. Ele segue o Código Civil, nos artigos 593 a 609, e não a CLT, a lei do emprego com carteira.

Na prática, é ele que responde às perguntas que mais dão briga: quanto você recebe, quando o dinheiro cai, o que acontece se o plantão for cancelado e como sair. Se não está escrito, vira a sua palavra contra a do local.

As regras do contrato valem igual em todo o Brasil, porque o Código Civil é lei federal. O que muda conforme o lugar é o imposto da prefeitura sobre o serviço (o ISS) e o conselho da sua profissão, que é regional: o do seu estado ou região.

Este texto é um guia para você ler o seu contrato com calma. Ele não é parecer jurídico nem modelo pronto. Se uma cláusula travar a sua decisão, mostre o contrato a um advogado ou ao sindicato da sua categoria no seu estado antes de assinar.

O checklist: o que precisa estar escrito no contrato

Use a tabela como lista de conferência. Cada linha é um ponto que deve aparecer, com palavras claras, no contrato que o hospital ou o home care mandar para você.

PontoO que deve dizerSinal de alerta
Quem são as partesNome, CPF ou CNPJ (o número da empresa na Receita Federal), endereço e o número do seu registro no conselho regional da sua profissão, o do estado ou região onde você atua: Coren, Crefito, CRP, CRN ou CRFa.Contrato em nome de outra empresa que você nunca ouviu falar, sem explicação.
O serviço (objeto)O que você vai fazer, onde e em que formato. Exemplo: "plantões de 12 horas de enfermagem na UTI adulto" ou "sessões de fisioterapia motora em domicílio".Texto vago, como "serviços diversos de saúde", que deixa o local pedir qualquer coisa.
Valor e unidadeQuanto vale cada plantão, visita ou sessão. Se noite, fim de semana ou feriado pagam mais, isso tem que estar escrito, com o valor."Valor conforme tabela vigente", sem a tabela anexada.
Prazo de pagamentoO dia em que o dinheiro cai e o que conta como início do prazo: a data do plantão, o fim do mês ou a entrega da nota fiscal."Pagamento após o recebimento do convênio", sem data limite.
Nota fiscal e descontosQuem emite a nota (o comprovante oficial do serviço), até que dia, e se o valor combinado é bruto (antes dos impostos) ou líquido (o que sobra).Nenhuma palavra sobre impostos retidos. Você só descobre o desconto quando o dinheiro cai.
Glosa e cancelamentoO que acontece se o plantão ou a visita for cancelada em cima da hora, ou se o local recusar pagar um atendimento (a chamada glosa).O local pode cancelar sem aviso e sem pagar nada, mesmo com você já a caminho.
SubstituiçãoSe você pode indicar outro profissional habilitado quando não puder ir.Proibição total de substituto, junto com punição por falta.
ExclusividadeSe você pode trabalhar para outros hospitais e home cares.Proibição de atender em outros lugares, mesmo sem salário fixo que compense.
Prazo e saídaPor quanto tempo o contrato vale, com quantos dias de aviso cada lado pode sair e se existe multa.Multa só para você, ou aviso de 90 dias só para você.
Materiais e segurançaQuem fornece equipamento de proteção, material e transporte, e quem paga por eles.Você paga material do paciente do próprio bolso, sem reembolso escrito.
Sigilo e dadosComo os dados dos pacientes são protegidos e o seu dever de sigilo.Pedido para mandar foto de prontuário pelo seu celular pessoal, sem regra nenhuma.
ReajusteSe o valor sobe e quando. Exemplo: uma vez por ano, por um índice de inflação nomeado no contrato.Silêncio total. O valor pode ficar parado por anos.

Como esses pontos viram dinheiro na prática?

Três exemplos com números redondos mostram por que cada linha importa.

Prazo de pagamento: o mesmo valor, meses de diferença

Uma fisioterapeuta faz 40 visitas de R$ 90 em março: R$ 3.600. Se o contrato diz "pagamento até o dia 10 do mês seguinte", ela recebe em abril. Se diz "60 dias após a entrega da nota", e a nota só sai no fim de março, o dinheiro chega no fim de maio. Para acompanhar cada valor, veja como saber se o hospital ou o home care já pagou.

Bruto ou líquido: a diferença que aparece na conta

Um técnico de enfermagem combina R$ 250 por plantão. Se o contrato não diz que o valor é bruto, ele pode esperar R$ 250 na conta e receber menos, porque o hospital pode reter impostos na fonte (descontar antes de pagar). Peça que o contrato diga "valor bruto" e quais descontos existem. Os impostos federais seguem as mesmas regras no Brasil todo. Já o ISS, o imposto da prefeitura sobre o serviço, depende do seu município: a taxa vai de 2% a 5%, conforme a Lei Complementar 116/2003, e é a lei de cada cidade que diz quanto se paga e quem recolhe. Entenda em por que o valor que caiu na conta é menor que o do plantão.

Cancelamento: quem paga o plantão que não aconteceu

Uma enfermeira de home care tem 8 plantões de R$ 220 marcados no mês: R$ 1.760. O paciente recebe alta e a empresa cancela tudo na véspera. Sem cláusula de cancelamento, ela perde os R$ 1.760 e a chance de pegar outros plantões. Com uma cláusula que paga, por exemplo, metade do plantão cancelado com menos de 24 horas de aviso, ela recebe pelo menos parte. O percentual é negociação, não lei: o importante é estar escrito.

O que vale quando o contrato não diz nada?

O Código Civil tem regras que entram quando o contrato fica em silêncio. As principais para quem trabalha na saúde:

  • Pagamento depois do serviço. Pelo artigo 597, você recebe depois de trabalhar, a não ser que o contrato ou o costume digam outra coisa.
  • Aviso para sair. Pelo artigo 599, se não há prazo combinado, qualquer lado pode encerrar avisando antes: 8 dias antes, se o pagamento é por mês; 4 dias antes, se é por semana ou quinzena; e na véspera, se o contrato dura menos de 7 dias.
  • Prazo máximo de 4 anos. Pelo artigo 598, um contrato de prestação de serviço não pode ser fechado por mais de 4 anos de uma vez. Depois disso, ele precisa ser renovado.
  • Contrato com prazo certo. Pelo artigo 603, se você foi contratado até uma data e é dispensado antes sem justa causa, o contratante paga o que já venceu e metade do que você receberia até o fim do prazo.
  • Multa tem limite. Pelo artigo 412, a multa não pode passar do valor da obrigação principal. Pelo artigo 413, o juiz pode reduzir uma multa exagerada.

Um exemplo da multa: um contrato de R$ 3.000 por mês que cobra R$ 15.000 de multa se você sair sem 30 dias de aviso é um sinal de alerta. Negocie antes de assinar. Depois de assinado, a discussão fica mais cara.

O que o Código Civil diz quando o contrato fica em silêncio

  • 8 diasaviso para sair, se o pagamento é por mês
  • 4 diasaviso para sair, se é por semana ou quinzena
  • 4 anosprazo máximo de cada contrato
  • metadedo que faltava receber, se dispensado antes do fim sem justa causa
Regras federais: valem em todo o Brasil quando o contrato não diz nada. · Fonte: Código Civil, arts. 598, 599 e 603

Cláusulas que podem esconder um emprego sem carteira

O contrato pode dizer "sem vínculo empregatício", mas o que conta é como o trabalho acontece de verdade. A CLT, no artigo 3º, chama de empregado a pessoa física que trabalha de forma não eventual (com frequência), sob as ordens de outra pessoa e recebendo salário. Quando o contrato de prestação de serviço é usado para esconder isso, o nome popular é pejotização.

Fique atento se o contrato, ou a rotina, tiver:

  • escala imposta, sem você poder recusar um plantão;
  • punição ou desconto por atraso, como num ponto de funcionário;
  • valor fixo mensal, igual a um salário, sem relação com plantões ou visitas;
  • proibição de mandar substituto e de trabalhar em outros lugares;
  • um chefe que manda em você como manda nos funcionários de carteira.

Isso não quer dizer que todo contrato com escala é ilegal. Hospital precisa de escala. Mas, se tudo isso aparece junto, leia se a empresa de home care pode exigir que você abra CNPJ, CLT ou PJ: o que compensa e se o PJ tem direito a férias e 13º. Guarde escalas, mensagens e comprovantes de pagamento.

O que muda conforme a sua profissão?

O checklist vale para todos. Mas cada profissão tem pontos que pedem uma linha a mais no contrato.

ProfissãoO que conferir a mais
EnfermeiroQuantos pacientes você assume por plantão e quem é o enfermeiro responsável técnico do local. O Código de Ética da Enfermagem (Resolução Cofen 564/2017) pede o registro do cuidado no prontuário (artigo 36) e o sigilo (artigo 52).
Técnico de enfermagemQuem supervisiona o seu trabalho. A Lei 7.498/1986, que regula a enfermagem, diz que o técnico atua com orientação e supervisão do enfermeiro.
Fisioterapeuta e terapeuta ocupacionalDuração de cada sessão, tempo de deslocamento entre casas no home care e se a avaliação inicial é paga à parte.
PsicólogoSala reservada para garantir o sigilo, onde ficam os registros dos atendimentos e se o atendimento online está incluído.
NutricionistaSe a prescrição de dieta e as reavaliações estão no valor, e quantos pacientes você acompanha por mês.
FonoaudiólogoValor da avaliação e da sessão de terapia, e se exames e relatórios entram no mesmo valor.

Em todas: o seu registro e a anuidade são do conselho regional do seu estado ou região (Coren, Crefito, que também registra o terapeuta ocupacional, CRP, CRN ou CRFa). Confira com o seu conselho se há alguma regra local para o tipo de serviço que você vai prestar.

Dado de saúde é dado pessoal sensível pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), que tem regras mais duras para ele. O contrato deve dizer como você recebe e guarda essas informações. Nada de paciente identificável em grupo de mensagens.

Como ler e assinar sem cair em armadilha

  1. Peça o contrato antes do primeiro plantão. Começar a trabalhar sem nada assinado é o caminho mais curto para não saber quando vai receber.
  2. Leia em casa, com a tabela acima do lado. Marque cada ponto que falta.
  3. Pergunte por escrito. Mande as dúvidas por e-mail ou mensagem e guarde as respostas.
  4. Peça a mudança no papel. Promessa falada ("aqui sempre pagamos no dia 5") não vale como cláusula. Peça que entre no contrato ou num aditivo, o documento que muda o contrato depois de assinado.
  5. Assine e guarde a sua via. A assinatura eletrônica pelo celular pode valer, se as duas partes aceitam esse meio, como diz a Medida Provisória 2.200-2/2001, no artigo 10. Baixe o PDF assinado.
  6. Guarde as provas do dia a dia. Escalas, mensagens, notas fiscais e comprovantes de PIX. Se um dia houver discussão, são eles que contam.

Se você trabalha para vários locais, cada um terá o seu contrato e as suas datas. Veja como receber de várias empresas de home care sem virar uma bagunça de notas e o que costuma ser pedido no cadastro de prestador.

Como ler e assinar o contrato sem cair em armadilha

  1. Peça antesReceba o contrato antes do primeiro plantão.
  2. Leia em casaUse o checklist e marque o que falta.
  3. Pergunte por escritoMande as dúvidas por e-mail ou mensagem e guarde as respostas.
  4. Mudança no papelPeça que a mudança entre no contrato ou num aditivo.
  5. Assine e guardeAssinatura eletrônica pode valer; baixe o PDF assinado.
  6. Guarde as provasEscalas, mensagens, notas fiscais e comprovantes de PIX.
Promessa falada não vale como cláusula. · Fonte: Código Civil; MP 2.200-2/2001, art. 10

Autônomo, cooperado ou PJ: o contrato muda?

Muda quem assina e quem paga os impostos. Como autônomo, você assina com o seu CPF e costuma receber com RPA, o recibo de pagamento de autônomo. Como PJ, assina a sua empresa, que emite a nota. Como cooperado, quem assina com o hospital costuma ser a cooperativa. O checklist vale para os três: valor, prazo, cancelamento, saída e sigilo. A comparação completa está em cooperado, RPA, PJ ou associado.

E o contrato com a adm.care, como é?

Com a adm.care, você assina um só documento com a gente: o termo de associado, o contrato digital de parceria, assinado pelo celular. Ele tem duas regras simples:

  • Sem taxa de adesão: você não paga nada para entrar.
  • Sem multa de rescisão: você não paga nada se quiser sair.

Depois disso, o nosso time cadastra você como prestador nos hospitais, home cares e laboratórios onde você trabalha e emite as notas fiscais. No modelo sem empresa própria, descontamos os impostos e taxas antes de pagar e fazemos o PIX do valor líquido na sua conta pessoal. No app, você vê o valor bruto, cada desconto e o status de cada fatura a receber.

Um cuidado honesto: o termo de associado não substitui a sua conversa com o local sobre valor, escala e cancelamento. Use o checklist deste artigo nessa conversa. Se você vai começar num local novo, fale com a gente e diga qual é. Se você já tem empresa própria, também fale com a gente para ver o que se aplica ao seu caso.

Veja o passo a passo em como funciona, o que está incluído em planos e as dúvidas mais comuns na ajuda. Quer saber quem está do outro lado? Conheça a equipe.

Leia também

  • Capa do artigo: Empresa de home care pode exigir que eu abra CNPJ?
    Home care

    Empresa de home care pode exigir que eu abra CNPJ?

    Sim, a empresa de home care pode pedir CNPJ, porque escolhe como contratar; mas, se houver chefe, escala imposta, valor fixo no mês e exclusividade, o CNPJ pode esconder um emprego (CLT, art. 9º). Enfermeiro e técnico não podem ser MEI. Para receber sem CNPJ, há CLT, cooperativa, RPA e, para enfermeiro, fisioterapeuta, psicólogo, nutricionista, fono e TO, a adm.care.

    · 9 min de leitura
  • Capa do artigo: Fisioterapeuta que atende home care precisa abrir empresa?
    Home care

    Fisioterapeuta que atende home care precisa abrir empresa?

    Não. Nenhuma lei obriga o fisioterapeuta a ter CNPJ para atender home care: o que decide é como a empresa paga. Dá para receber com carteira, RPA, cooperativa, como associado sem empresa própria ou como PJ, que traz contador, anuidade e imposto todo mês.

    · 11 min de leitura
  • Capa do artigo: Enfermeiro pode emitir nota fiscal sem ter CNPJ?
    Notas e cadastro

    Enfermeiro pode emitir nota fiscal sem ter CNPJ?

    Às vezes: depende da prefeitura, que pode ou não deixar o autônomo emitir nota avulsa pelo CPF. Se ela não deixa, os caminhos são o RPA, abrir empresa (enfermeiro não pode ser MEI) ou receber como associado da adm.care, sem CNPJ próprio.

    · 9 min de leitura

O cadastro é no app, em 3 passos

Cuide dos seus pacientes.
A burocracia fica com a gente.

Baixe o app, preencha seus dados e assine o termo de associado. Sem taxa de adesão ou multa de rescisão.

Disponível na App Store
Disponível no Google Play

Dúvidas? Fale com a gente no WhatsApp

Baixe o app no seu celular

Aponte a câmera do celular para o código da sua loja. O cadastro é feito no app, em 3 passos.

iPhoneApp Store AndroidGoogle Play
  1. 1 Baixe o app
  2. 2 Preencha seus dados
  3. 3 Assine o termo de associado
Receber o link no WhatsApp